Rio de Janeiro, 07/02/2012 | 14:54
Luli Radfahrer apresentou e moderou a quinta edição do Fórum Internacional de Mídia (F.I.M), que aconteceu dia 8 de junho no Oi Casa Grande, na cidade do Rio de Janeiro. Luli, PhD em comunicação digital pela ECA-USP, abriu o evento convidando Dr. Julio Bueno, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, que apresentou o panorama econômico do Estado.
O Secretário falou do ótimo momento em que o Rio de Janeiro está vivendo. De acordo com o estudo da Firjan, "Decisão Rio", os investimentos para a cidade são de 140 bilhões, porém, com um olhar crítico, para o Rio que seja uma cidade internacional, essa onda de investimentos do séc. XX tem que ser transformada em investimentos do séc. XXI. Segundo o Secretário, a existência de consistentes políticas públicas fará consolidar a mudança necessária para o crescimento do Estado.
Sergio Prazeres, presidente do Grupo de Mídia do Rio de Janeiro, agradeceu a presença do Secretário e justificou a importância do convite para a abertura do 5º Fórum Internacional de Mídia (F.I.M). Atualmente as pessoas, através das mídias digitais, estão mais inseridas no contexto político, onde todos têm voz e participam do panorama político de sua cidade e de seu país.
Luli apresentou o F.I.M como uma oportunidade de debater e não simplesmente de abastecermo-nos de respostas, mas de perguntas.
A primeira palestra foi de Jesus Baron, Diretor de Planejamento Estratégico da Turner Atlanta, que apresentou "What's cool and new in media for the consumer at TBS Latin America". Jesus compartilhou uma visão internacional do que está acontecendo na mídia fora do Brasil.
O profissional da Turner enfatizou a importância das empresas produtoras de conteúdo e entretenimento em televisão e outras plataformas de entender os consumidores. Para ele as empresas têm três desafios nesse entendimento:
1- Como os consumidores acham você; 2 - Como consumidores gostam de você; 3 - Como os consumidores voltam para você.
A pergunta básica, falando estrategicamente, é: como converter as empresas e os consumidores em espaços virtuais e fazê-los viver em paz com todas as plataformas. O consumidor segmentado cria o diálogo com a empresa e mostra o que ele quer consumir e de que maneira, assim a empresa pode criar diferentes plataformas. O consumidor cria a motivação do diálogo. É preciso entender esses consumidores segmentá-los e criar serviços personalizados.
Na conclusão de Jesus, o que tem de bacana, acontecendo na mídia é que não importa se a empresa tem o melhor filme ou show se não estiver integrada a um contexto multiplataforma e saber o quê e como o consumidor deseja seu conteúdo.
Para chamar o próximo palestrante Luli perguntou: “Quando foi a última vez, de verdade, que você clicou em um banner? Quando um anúncio de TV ou revista realmente formou sua opinião? Quem já não foi procurar informações ou foi influenciado pelo Google?"
Não dá mais para ignorar, podemos até ter inúmeros contatos e fazer apelos emocionais, porém), o fato é que o Google é atualmente o maior consultor. Para falar de como você pode ser encontrado na Internet e encantar o consumidor, Gustavo Morale, fez a segunda palestra F.I.M. Gustavo Morale, da HOTWords In-text Advertising, focou principalmente em mídia on-line, mas disse que nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, não se pode esquecer dos grandes veículos de massa.
Para ele a grande missão dos veículos e das agências é mais do que planejar mídia e criar peças criativas, eles têm que entender todas as opções. Para encontrar o consumidor, Morale mostrou o tempo que os veículos levaram para atingir 50 milhões de usuários: o rádio levou 38 anos; a TV, 13; a internet 4 anos e o iPod 3 anos. Atualmente a forma de encontrar os consumidores é através da evolução dos formatos on-line, encontrando momento e a forma mais conveniente para se comunicar com eles.
Falar de Internet é falar de mídia social, é falar de consumidor para consumidor. A relação entre as pessoas está mais plena e o poder de influência sobre os novos consumidores que a mídia social proporciona é cada vez maior. Para Morale, a cultura digital não está consolidada, está em transformação e as relações humanas mudaram. Sabendo disso, como encantar os consumidores com inteligência, qual a grande vantagem da Internet? É importante saber que a Internet permite prever o comportamento do consumidor, saber o que ele necessita e escolher a linha criativa, ou seja, o audience target.
A Internet dá a oportunidade de identificar qual é a melhor campanha para encantar seu públco-alvo e investir a verba direcionado para esse público.
O último palestrante da manhã, Alexandre Maron, Diretor de Projetos On-line da Editora Globo, atua em projetos digitais com foco em mobilidade e novas plataformas, incluindo celulares e e-readers. Alexandre Maron descreve o iPad como um livro, ou melhor, como um novo produto capaz de entregar conteúdo.
Para começar a entender aonde chegamos nessa entrega de conteúdos, temos que voltar ao tempo e ver as sete mídias de massa: Em 1500 nasceu a impressão; em 1900 apareceu a gravação; em 1910 chegou o cinema; em 1920 chegou o rádio; em 1950 foi a vez da grande transformação, a TV com áudio e vídeo; em 1995 veio a i(I)nternet e desde 2000 a evolução do mobile.
Agora, com todas transformações dos meios de comunicação, a reinvenção da leitura passa pelo momento onde as empresas são obrigadas a criar novas cadeias econômicas e ter a certeza que um novo mercado está surgindo. A entrada dos smart phones cresceu 27% em 2009, é atualmente a plataforma que mais cresce. Surgiram os e-readers e criou-se um mercado onde o iPad, por exemplo, junta as vantagens da publicidade digital com a publicidade no papel.
Alexandre Maron disse que as revistas têm que ser vistas como comunidades, elas geram sites interessantes, além de ser uma grande oportunidade de criar comunidades na Internet, tendências e expandir as marcas. Os ecossistemas são gigantescos, são App’s, sites móveis, e-readers e impressos. Entregar conteúdo nessas múltiplas telas é entregar mais para o seu leitor (revista) que agora vira audiência (on-line) com comportamento diferente.
O planejamento de produção é muito mais complexo e há muito que não se pode fazer nas revistas digitais, como reutilizar conteúdo, se prender ao formato portrait, usar texto muito pequeno para ler e obrigar o leitor a fazer zoom, ignorar multimídia, não ligar para o tamanho dos arquivos e incomodar os leitores o tempo todo.
Alexandre Maron aconselhou a perder o medo do futuro, pois software é o conteúdo. Deve-se jogar fora arrogância e abraçar o beta eterno, ouvir a audiência e oferecer algo que tenha valor.
No início da tarde, Luli apresentou o Painel Mobile Marketing com os três participantes: Alex Pinheiro, CEO da Hands Mobile SA, Leo Xavier, sócio fundador da PontoMobi, e Renato Gosling, Sócio-Diretor de Novos Negócios da FingerTips.
Alex Pinheiro abriu o painel falando da diferença entre site móvel e aplicativos. Para ele não existe o mais importante, é simplesmente uma questão de estratégia. Tanto faz um quanto o outro, o fato é que o aumento de usuários de web móvel que clicam em anúncios e banners é de 27% e atualmente a plataforma móvel entrega conteúdo de alta qualidade.
Ele cita as 10 questões que diferenciam o sites (os sites) móveis dos aplicativos:
1. Acesso instantâneo / necessidade de fazer download e instalação;
2. Endereço web já conhecido / procura na loja virtual;
3. Promoção mais simplificada / divulgação intensa em loja virtual;
4. Atualização é feita direto no servidor /necessário fazer upgrade no software;
5. Explorar é surfar no site miniatura / pode ter ferramentas que demandem aprendizado;
6. Acessível de qualquer mobile / desenvolvido para os mobilies específicos;
7. Restrito as limitações do navegador do celular / usa os recursos do sistema operacional;
8. Cara de site / confunde-se com recursos originais do celular;
9. Selecionado pelo usuário como favorito no browser / adicionado à lista de aplicativo ganhando destaque;
10. podem ser seguros, mas possuiem mais vulnerabilidade / trafega dados com um pouco mais de segurança.
Para Alex Pinheiro, ambos têm que ser relevantes, prestar um serviço que faça o consumidor voltar e proporcionar uma ótima experiência.
Já Leo Xavier diz que uma empresa que desenvolve mobile marketing (mobile marketing) tem que conquistar um espaço no aparelho do consumidor - share of hardware. Ele concorda com a relevância do conteúdo, até mesmo porque nada é mais valioso que o tempo de atenção do consumidor.
Os aplicativos podem ser:
1. Aplicativo proprietários;
2. Patrocínio de um aplicativo;
3. Mídia em aplicativos - simples veiculação da sua marca.
Leo Xavier lembra que 82 % dos celulares ainda são pré-pagos. A melhor coisa é dar opções, outras formas de mobile marketing podem ser utilizadas, como por exemplo nos advergames, uma vez que o mercado de games cresce fortemente.
Um conceito importante é que o mobile passa ser um hiperlink da mídia off-line, que interage com o consumidor, tem um conteúdo que trafega off-line, estimula o consumidor a interagir e entrega o conteúdo em multiformatos.
Ele finaliza(ou) afirmando que o mobile marketing é uma oportunidade de mídia e consumo. Inovar é usar a criativamente a tecnologia.
Renato Gosling finalizou o painel com o tema “O mundo dos App’s e sua importância como mídia”.
Iniciou com as questões: “– Como posso colocar um aplicativo no meu plano de mídia? através de banner, aplicativo sob encomenda e App’s patrocinados?”
“–Por que se fala tanto em aplicativos?"
1. Sensação de propriedade, o consumidor tem uma intimidade com aplicativos;
2. Experiência rica;
3. Qualificação de público, falar com o target específico e segmentado;
4. Alta frequência de uso;
5. Cada vez mais as marcas lançam App’s para serem baixados;
6. Mobile faz parte do ecossistema. Por exemplo, 200 mil App’s rodam em iPad.
Em um planejamento de mídia, a métrica é um assunto relevante, e já existe um programa de métricas de aplicativos, a ferramenta Flurry que entrega dados confiáveis para a marca.
Para Gosling é muito importante saber que o consumidor mudou, atualmente o público impactado é abrangente e já atinge todas as classes sociais e faixa etárias.
O palestrante seguinte foi Sergio Cabral Cavalcanti –fundador da IdeaValley, que apresentou no 5 °Fórum Internacional de Mídia, sua complexa palestra: “A Nova ordem da convergência de hábitos”.
A empresa IdeaValley, sediada em Petrópolis, criou um novo meio de se ler virtualmente, o Flip – que significa virar – e remete ao ato de folhear uma revista, um caderno, um jornal etc. Os profissionais da IdeaValley tiveram a ideia de desenvolver um sistema de computador com o fim de trazer o conteúdo que existe no mundo real e levá-lo para novos meios de comunicação, expandindo as fronteiras impostas pelo papel sem perder a aparência da página impressa.
O Flip leva o ato de folhear o jornal para dentro da telinha do computador, através do navegador Internet (IE, Netscape, Mozilla etc.), permitindo a inserção de links de som e imagem no conteúdo. Se a reportagem fala de um disco, é possível clicar na página e ouvir algumas músicas, por exemplo.
Sergio mostrou vários exemplos de boas ideias que desenvolvidas com àquela tecnologia são bem sucedidas. Apresentou os projetos de Inclusão Digital feitos na Rocinha, que em dois anos levaram 27.000 pessoas a receber inclusão social (digital), diversão, democratização, cidadania, conhecimento e produtividade, assim como na África.
Sergio, o “Professor Pardal“, como foi chamado carinhosamente pela plateia, alertou que a divisão digital tem que se preparar para o futuro, porque provoca:
1 Bilhão de computadores no mundo;
3 Bilhões de teclados;
3 Bilhões de teclas inúteis;
O lixo eletrônico cresce 4 vezes mais que o lixo convencional;
30 Milhões de kg de plástico inútil;
50 Milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano;
3 Bilhões de celulares no mundo;
500.000 celulares no lixo todos os dias.
Em sua conclusão, a divisão digital é o efeito provocado pelo lançamento de grande quantidade de oferta tecnológica digital em um curto espaço de tempo sem a sua disseminação e tidas como as cadeias de valores na sociedade de forma global.
O debate de encerramento do F.I.M. foi uma conversa informal entre Enor Paiano - Diretor de Publicidade do UOL, Adriano Torres – Gerente de Produtos da Coca-Cola, Marcelo de Sales Gomes - VP Executivo do Meio&Mensagem e Sergio Cabral – fundador da IdeaValley.
Luli Radfahrer, que comandou o Fórum com muita irreverência, lembrou que o objetivo de toda discussão sobre as transformações na comunicação é recriar velhas respostas e produzir novas perguntas e novos caminhos para aonde a mídia vai.
Marcelo comenta como será o futuro, como a reinvenção da leitura representará uma oportunidade para o negócio de mídia. Para ele nada está criado ainda, muito ainda é uma réplica do papel e muito será produzido.
A visão de Adriano, como anunciante e quem realmente “paga a conta”, “falta ainda aos profissionais que ‘vendem‘ as novas mídias um discurso próprio de marketing, um aprendizado maior comercial." Ele concorda que é superinovador, mas ainda precisa mostrar com mais consistência o que representa para a minha marca.
Enor lembrou que já houve momento em que a questão entre comercial e editorial era muito importante, e que esse tripé: agências, anunciantes e veículos têm que interagir. “As agências têm que conhecer fortemente o discurso do cliente, ter a marca como foco final, e o veiculo (veículo) ter o consumidor como foco final.“
Sergio acredita que a energia e tempo que se gasta com ideias criativas associadas às ferramentas da tecnologia, fica difícil se criar ideia errada. Ele acha que o que falta são mais encontros para discussão de negócios, networking para fazer essas ideias funcionarem, espalhar palavras e promover ruptura.
Sob o aspecto das mídias on-line, Marcelo acha que chegou a hora, que o iPad, por exemplo, encontrou a embalagem certa para entregar um negócio bacana. Aqui no Brasil, que ainda há uma classe C bem atuante, vai demorar um para acontecer à transição total da mídia impressa para a mídia digital e que ainda temos um período para nos preparar para o futuro.
Enor questiona se o dinheiro digital também vai crescer, lembrando que os anúncios impressos são muito mais caros que os veiculados on-line. Para ele a audiência já migrou, porém a receita ainda não conteve. A mídia impressa tem um modelo de publicidade relevante, engajamento com alcance, enquanto a on-line está na inovação e tem que chegar a equação: relevância-alcance-frequência.
Para o anunciante, Adriano disse que pouco interessa o tipo de mídia, tradicional ou digital, o importante é atingir o objetivo da marca.
A conclusão de todos os participantes é que em toda essa transformação da comunicação, o importante é: conhecer o cliente, oferecer coisas que sejam relevantes e entender para aonde está indo e o que o consumidor quer.