Rio de Janeiro, 07/02/2012 | 11:22
Fátima Rendeiro foi indicada ao Prêmio Caboré para a categoria Profissional de Mídia. A premiação, concedida pelo grupo Meio & Mensagem há três décadas, é uma das mais importantes do setor de mídia em âmbito nacional. Para ser indicada, o Meio & Mensagem consulta as lideranças do mercado e consolida informações sobre aqueles que se destacaram em cada uma das categorias. E está chegando a hora do resultado! Dia 07 de dezembro, em SP.
Lia Lewel: Ser reconhecida por colegas do mais alto nível e indicada para o Caboré, prêmio considerado um Oscar da indústria da comunicação, aponta um momento muito importante da sua carreira. Fale um pouco de como você recebeu essa indicação.
Fátima Rendeiro: É muito gratificante ter meu trabalho reconhecido. Esta premiação é superimportante no mercado de comunicação e concedida pelo Meio & Mensagem, veículo altamente respeitado por todos os profissionais da área. Como todos sabem, haverá uma eleição entre três profissionais renomados de mídia: Eliana Bueno (Lica), Ezra Geld e eu, e a escolha será feita pelos assinantes do Meio & Mensagem em todo o Brasil, mas, independente do resultado, já me sinto uma vencedora, pois para mim esta indicação já é um prêmio.
LL: Conte um pouco da sua trajetória até essa indicação.
FR: Sou carioca, com muito orgulho, moro no Rio, mas procuro sempre deixar as fronteiras para trás porque acredito que por esse Brasil afora existem culturas e sotaques locais que merecem ser descobertos e reconhecidos.
Adoro conhecer pessoas novas e mercados novos.
Sou uma publicitária que está sempre em busca de conhecimento. Desde que comecei a me interessar por novas formas de comunicação - as chamadas “novas mídias” -, minha preocupação tem sido descobrir algo muito mais interessante para todos nós do que simplesmente o alcance e a frequência desses novos pontos de contato: Orkut, Twitter, Facebook, My Space, etc.
O que mais me interessa são os impactos e efeitos sociais, educacionais e comportamentais em nossas vidas, vindos do uso dessas mídias sociais, por vezes competentes, mas em outras ainda muito incipientes. Entender como funcionam as relações digitais na sociedade como um todo é um grande desafio para mim atualmente, e realmente me encanta o uso de novas tecnologias na comunicação, onde procuro sempre olhar para a frente, antecipando tendências e aprendendo todos os dias observando as pessoas.
Sempre trabalhei com mídia e atualmente como Diretora de Mídia da Quê procuro constantemente me reinventar, pois nossa atividade está em permanente ebulição.
Em 2000, comecei a fazer parte do Grupo de Mídia do Rio de Janeiro, onde fui diretora de Formação Profissional e membro da Divisão Técnica, responsável pelos cursos de formação profissional promovidos regularmente pelo GMRJ, além de ter participado da elaboração e ensino de um curso inédito, o Mídia-Pró, em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing, que promoveu a especialização técnica na disciplina mídia. Foi uma grande experiência e um grande prazer elaborar o curso com grandes profissionais como Marilena Geada, Amália Machado e José Carlos Alves, compartilhando conhecimento com tantos jovens que estavam iniciando sua trajetória na área de mídia.
Antes dessa experiência, já ministrava mídia na ESPM, no Curso de Comunicação Social. Atualmente o tempo só me permite lecionar em cursos livres, mas sempre que posso tento estar disponível para essa atividade tão rica que é lecionar.
Em julho do ano passado, Sérgio Prazeres, que assumiu a presidência do Grupo de Mídia, permitiu que fosse criada uma nova diretoria que tem um desafio muito grande que é promover reflexão e o debate desse novo cenário do mercado publicitário. Foi com essa proposta que criamos a Diretoria de Inovação & Integração, responsável pela criação do Blog Pulso, que integra profissionais de várias áreas em um único ambiente digital. Se você não conhece, vale a pena passar por lá e deixar a sua opinião. Acesse pelo site do GMRJ ou pelo.blogpulso.com.br.
LL: Você tem mostrado em seu trabalho que integração e inovação são palavras-chave para se "fazer mídia" atualmente. Você acha que essa indicação faz um reconhecimento a esse formato? (se é que podemos chamar de formato).
FR: De verdade, acredito no trabalho de forma integrada com o Atendimento, Planejamento e Criação, unidos em prol da descoberta da melhor solução de comunicação para nossos clientes. E acho que os anunciantes também devem participar desse processo de integração.
Todos nós temos que nos acostumar a ouvir mais e observar mais os profissionais que tentam pensar diferente e que pensam em inovação nas empresas em que trabalham.
Claro que em algumas empresas em que o ambiente não ajuda, o esforço individual será maior, mas não deverá ser justificativa nem empecilho para não se buscar referências que ajudem a pensar diferente.
Não podemos desistir de tentar aprovar nossas idéias inovadoras com os anunciantes, pois sempre será nosso papel apresentar diferenciais em nossas recomendações. E esse, de fato, pode ser o grande diferencial de qualquer profissional, seja ele de mídia, planejamento ou criação.
Os anunciantes são receptivos e os que não são hoje um dia terão que ser!
LL: Ser indicada, independente do resultado, já é um grande prêmio. Quais são seus planos futuros?
FR: Meus planos futuros são mais do que trabalhar com meios, entender de comportamento, aliando técnica a uma sensibilidade capaz de traduzir os insights oferecidos pelo planejamento para a criação. A informação técnica de mídia é importante, mas o conhecimento cada vez maior sobre as marcas, seus objetivos e as opiniões e atitudes desses indivíduos na sociedade, cada vez mais hiperatarefado, será sem dúvida o diferencial dos profissionais de mídia. Penso em, talvez, futuramente estudar mais profundamente essas relações, cursando um mestrado, mas ainda vou decidir qual o melhor caminho a seguir.
LL: Você se preocupa muito com a formação do profissional. Dê uma mensagem para esses jovens que estão começando na mídia.
FR: Em primeiro lugar, não esperar a oportunidade surgir. Ir ao encontro dela. Sair da inércia. “Estar antenado”, expressão tão utilizada hoje em dia, pois a rapidez com que surgem e evoluem os pontos de contato faz com que essa necessidade seja mais do que uma obrigação, seja vital. Segundo, não deixar de olhar em torno do que está acontecendo. Os jovens hoje em dia são ávidos por informação e devem usar esse interesse natural para aprimorar seu trabalho na área de mídia. Hoje é muito comum a troca de informações nas redes sociais, então, nada melhor do que saber dessa informação em primeira mão e compartilhar com outros profissionais da área.
É fundamental ser curioso, ser comprometido e ter energia!
E em terceiro, não menosprezar a experiência daqueles que já vivenciaram muitas situações que lhe permitem hoje fazer com que tomem decisões completamente diferentes das que um profissional que não tenha vivido situações diversas venha a tomar.
Em resumo, entregue sempre o seu melhor é o meu conselho!