Rio de Janeiro, 17/05/2012 | 14:06
Paulo Fraga, diretor executivo comercial do grupo Ejesa, que adquiriu o grupo O Dia em 27 de maio de 2010 e edita os jornais Brasil Economico, O Dia, Meia Hora e Marca Campeão, assim como das suas plataformas digitais, é o nosso convidado para um bate papo.
Lia Lewel: Os mais importantes jornais impressos no mundo enfrentam dificuldades por conta da queda de circulação e publicidade. Como está a performance dos produtos nessa nova gestão?
Paulo Fraga: Os jornais sofreram os reflexos decorrentes de uma grave crise economica vivida a partir do último trimestre de 2008, com sérios relfexos ao longo do ano de 2009 e ainda presentes. No caso específico do Brasil os impactos foram muito menores, já estamos vivendo um processo de franca recuperação, tanto sob o ponto de vista de circulação quanto publicitário. No caso da circulação, estamos vivendo um movimento de transformação importante no perfil de leitores em função do crescimento da classe C e do poder aquisitivo.
LL: No Brasil tivemos inclusive o fim da circulação de um grande jornal, em sua visão, qual é o maior obstáculo que os jornais têm que superar?
Paulo Fraga: Os jornais terão que continuar se modernizando e se adaptando a um consumidor fortemente impactado com a fragmentação da mídia, com menos tempo disponível para consumir informação, o desafio é explorar, de forma consistente, os diferenciais competitivos e os atributos que o meio oferece.
LL: Muito se fala de um futuro incerto dos jornais impressos, o senhor acha que , em alguns anos, o meio será uma parte secundária de uma grande plataforma digital?
Paulo Fraga: O surgimento de novos canais de distribuição de conteúdo e informação, não significam, necessariamente, no desaparecimento dos canais tradicionais, essa não tem sido a experiência vivida entre os meios, é inegável que o modelo do presente e futuro é multiplataforma, entretanto, os meios se fortalecem em uma estratégia crossmidia e crosscontent.
LL: O Grupo solicitou a desfiliação do Jornal O Dia junto à ANJ (Associação Nacional de Jornais), quer falar um pouco sobre isso?
Paulo Fraga: O Dia era fundador da ANJ. Quando teve seu controle acionário negociado para a Ejesa, Empresa Jornalistica Economico S.A., foi realizada uma reunião entre os sócios fundadores que tomaram a decisão de o excluirem. Circunstancialmente, essa atitude coincidiu com a negativa da não aceitação da filiação do jornal Brasil Economico, feita de maneira pública e não formal. Diante de atitudes que representtam retaliações injustificáveis, na medida em que os princípios constitucionais estão inteiramente preservados, entendeu-se que essa seria a melhor forma de manifestar a absoluta contrariedade sobre a forma equivocada de abordar a pluralidade da informação e a livre competição.