Rio de Janeiro, 17/05/2012 | 14:15
O ex-hacker Kevin Mitnick, preso nos EUA por cinco anos pelos golpes aplicados na internet, foi um dos maiores destaques da Campus Party, fez sua palestra nesta terça-feira. Autor do livro "The Art of Deception" ("A Arte de Enganar", em português), defende a tese de que o fator humano é o principal culpado pela maioria das falhas de segurança que levam a invasões de sistemas, roubos de dados e golpes cibernéticos. Sua palestra é um alerta para os riscos que todos nós corremos hoje em dia na web e as medidas que mesmo os menos ligados em tecnologia devem tomar para se proteger.
Mitnick afirma que os ataques de hackers são arquitetados a partir de uma mistura de conhecimento técnico de computação e "engenharia social". O termo, popularizado pelo próprio Mitnick nos anos 90, descreve a prática de se obter informações confidenciais por meio da manipulação. O famoso 171. Segundo o ex-hacker, a engenharia social tem diversas vantagens sobre a invasão "clássica" de sistemas: é mais barata, não pode ser detectada, não deixa rastros e funciona em todos os sistemas operacionais.
A maior ameaça hoje em dia é o "phishing", os falsos emails cujo objetivo é enganar algum internauta, levando-o a clicar em um link contaminado ou preencher um formulário com informações pessoais. Ou seja, uma forma sofisticada de engenharia social. As mensagens mais comuns trazem links de sites infectados ou pedem que o internauta clique em um arquivo que instalará um programa espião em seu computador.
Mitnick alertou ainda para uma das maiores vulnerabilidades do Windows: o "autorun". Essa é a função que faz com que CDs, DVDs e pendrives abram seus conteúdos automaticamente quando inseridos no computador. Com isso, um pendrive contaminado pode instalar vírus em sua máquina sem você saber, pois seu conteúdo rodará automaticamente. Portanto, desligue o autorun.
A regra mais importante é aprender a dizer "não" e nunca fornecer informações que devem ser vistas como confidenciais. Portanto, não preencha cadastros em sites ou formulários de papel de origem duvidosa (ou simplesmente desconhecida), não repasse informações por telefone, a não ser que você confie no interlocutor, e nunca, mas nunca, revele nenhuma de suas senhas.
Com informações do O Globo - matéria de Eduardo Almeida