Rio de Janeiro, 07/02/2012 | 15:04
"Uma gaiola saiu à procura de um pássaro.", Franz Kafka.
Para os pequenos e médios empresários investir em campanhas nas mídias tradicionais raramente é uma opção, pois esses investimentos são caros demais para os mirrados orçamentos de marketing e comunicação disponíveis. Antes da internet, pequenas e médias empresas e startups investiam um pouco em assessoria de imprensa, um pouco em catálogos e páginas amarelas, um pouco em vitrine, uma ou outra mala-direta. Basicamente, tateando um mercado consumidor geograficamente próximo, local.
Mas, com a internet, o mercado é, potencialmente, sem fronteiras, e a concorrência vem de todo o lado também.
Ao contrário de insistir em ações de marketing nas mídias tradicionais, focadas no curto prazo, nas metas de vendas de um período qualquer, as empresas que estão experimentando as novas formas de marketing e comunicação, já compreenderam que a chave do crescimento é investir na criação e na manutenção de relações de longo prazo com seus consumidores e clientes.
As empresas que estão na vanguarda do novo marketing, se apresentam menos vendedoras, menos comerciantes, menos óbvias, e mais parceiras, mais amigáveis, mais sutis. Elas oferecem algo de graça, um serviço que não está diretamente associado à venda dos produtos, mas que, com o tempo, constrói uma relação com seus consumidores que, indiretamente, levará à venda.
Uma iniciativa que faz parte das novas formas de marketing é a elaboração de conteúdo original. Não há pequena e média empresa que não se beneficie com a produção de conteúdo de qualidade, que circule entre seus clientes, através dos diversos meios disponíveis na internet: um site, um blog, uma comunidade numa rede social, chamadas no Twitter, um artigo para ser publicado em um site de referência, um aplicativo no Facebook, ou, ainda, nos blogs e Twitters de pessoas que são "seguidas", os formadores de opinião.
Por exemplo, uma empresa de arquitetura, que se especializou em projetos para escritórios, pode criar uma newsletter apresentando, através de estudos de casos, testemunhais e um pouco de teoria, quais os benefícios que um cliente pode esperar ao montar um escritório fisicamente compatível com a sua cultura.
A elaboração de conteúdo original de qualidade, e sua distribuição, produz um efeito interessante: a empresa parece ser maior do que realmente é, mais importante, mais relevante. Iniciativas de produção de conteúdo podem trazer mais vendas e, ainda, aumentar o valor médio por venda.
Além da iniciativa de produção de conteúdo, outras iniciativas estão ao alcance das empresas que já compreenderam que a internet muda tudo, na forma com que se faz comunicação e marketing, pela pequena e média empresa e startup.
As empresas que estão experimentando as novas mídias, estão usando (em negrito, digo, pra valer!) a internet como meio para interagir com seus consumidores no longo prazo. Estão criando o seu próprio veículo de comunicação e marketing e uma audiência só pra si. O que o Seth Godin chama de plataforma, aqui: http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2009/09/the-platform-vs-the- eyeballs.html (em inglês).
A plataforma é o conjunto de iniciativas que uma empresa cria/produz/mantém para reunir as pessoas que se interessam pelo que ela tem a dizer, pelo seu conteúdo, pela cultura que engendra. Uma plataforma pode englobar um ou vários sites, blogs, comunidades, Twitter, vídeos no Videolog, fotos no Flickr, aplicativos feitos sob medida para o Facebook e para o iPhone, um jogo online, etc.
Criar e manter plataformas funciona muito bem para profissionais liberais também. Veja o caso da violoncelista Zoe Keating, que passa metade do tempo fazendo música e metade do tempo promovendo o seu trabalho na internet, livre de qualquer gravadora. Ela tem 1.109.670 seguidores no Twitter. Uma bela audiência, não?
Alexandre Ribenboim é empreendedor e consultor de empresas. Foi fundador da MLab (1994‐2001), empresa de marketing e consultoria para internet do Brasil, vendida em 2000 para a Neoris. Em 2006, Alexandre fundou a Casa do Saber Rio de Janeiro, considerado um importante centro cultural e de ensino no Rio. No ano passado, Alexandre fundou a Pró‐Laudo, uma empresa de telerradiologia, que presta serviços de laudos à distância para exames de radiologia em hospitais e clínicas no Brasil. Recentemente, Alexandre começou a publicar o blog Gestão Singular, no site do jornal O Globo.