Rio de Janeiro, 07/02/2012 | 14:35
Por Sergio Prazeres,
publicado no site Investimento e Notícias em 20 de Agosto de 2010 18:20
Li em uma revista essa semana uma matéria sobre “Conflito de Gerações no Ambiente de Trabalho”. Um problema para algumas empresas. A experiência em agências de propaganda não é parâmetro para esse tipo de conflito, onde as estruturas são pequenas e o produto final idéias. Já nas grandes empresas com muitos funcionários, muita hierarquia e centenas de processos, a coisa pode ter outra dimensão. De qualquer forma, acho que o tema deve ser tratado de forma saudável e positiva, destacando, de forma ampla, a complementaridade das diferentes gerações. Mas o mérito da matéria é sugerir outra abordagem do tema, a “Contribuição de Gerações”, a pista que uma geração pavimenta para outra decolar. Evoco assim a importância da geração dos “Baby Boomers”, dos nascidos entre 1946 e 1964, para os fatos e acontecimentos dedicados as gerações seguintes.
O conflito de gerações dos “BB” foi o mais forte e profundo, gerando uma ruptura comportamental sem precedentes. Suas bandeiras são corriqueiras para nós: defesa da paz, das liberdades individuais, liberação sexual e igualdade dos sexos. O quanto tudo isso não alterou, e de forma tão drástica, a forma como nos relacionamos e lidamos com o mundo. É verdade que eles radicalizaram um pouco, principalmente em relação ao sexo e as drogas, mas toda ruptura é ou não é radical? Pelos esforços e protestos deles, quantos tabus não foram quebrados. O chocante de hoje, é o parâmetro de amanhã. Basta olhar as passarelas, os salões de automóveis, alguns filmes sobre o futuro, os aparelhos da loja da esquina.
A posterior “Geração X”, dos nascidos entre 1965 e 1978, onde me incluo, equilibrou as coisas, normalizando a ruptura radical, levando o famoso “Conflito de Gerações” a um patamar bem menos conflituoso. O que fazer então se não precisa mais brigar com os pais, confrontar e escandalizar a sociedade? Com tanta energia ociosa, restou surfar a onda de vibração positiva e criativa “dos três dias de Woodstock”! Deu no que deu, não paramos mais de inovar. A inovação voltou para as garagens. Inovações que colocam o indivíduo em primeiro plano. As conquistas dos cidadãos na política com a democracia, alcançam o mundo comercial com a tecnologia.
São muitos os exemplos.
Com isso tudo, vejo com muita naturalidade os insights que saem sobre a “Geração Y”, dos nascidos depois de 1979, que fazem o que gostam, trabalham visando realização pessoal, buscam equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, colocam o respeito e a admiração acima da hierarquia, defendem a ética, compreendem que precisam proteger o mundo e deveriam ajudar a inclusão social e virtual. Afinal, vivemos ou não vivemos para nos tornarmos melhores? Não foi essa a pista pavimentada para eles, com a valorização da infância, acesso a tecnologia, liberdade de informação e educação sofisticada?
A “Contribuição de Gerações” é fascinante, e certamente deve ocupar mais do nosso tempo do que os conflitos entre elas!